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Ao executar um
programa de cruzamento industrial, o produtor tem interesse na
rapidez do retorno financeiro. Para realizar o lucro, é
fundamental que se conheça a capacidade combinatória das raças
envolvidas e a contribuição particular de cada uma delas no
esquema de cruzamentos. A capacidade combinatória específica
(CCE) entre raças, tem sido muito explorada em pequenas espécies
animais, como aves, coelhos e suínos, como também nas plantas,
por exemplo o sorgo forrageiro e o milho híbrido. Quanto maior a
distância étnica original entre os grupos acasalados, maior a
heterose nos produtos (filhos), expressa como vigor,
crescimento, resistência e fertilidade. A contribuição
particular é uma outra forma de aumentar o valor de cada raça
envolvida no cruzamento. Refere-se ao potencial de produção já
existente, previamente desenvolvido, ao longo do processo da
formação, evolução e melhoramento genético do grupamento em
foco.
O sistema de acasalamentos pode ser otimizado quando, em manejo
simples, conseguimos obter o máximo de cada contribuinte,
conhecendo sua origem e capacidade de combinação.
A definição de alguns critérios, até o sobreano (18 meses), pode
definir entre as raças de bovinos o sucesso nos cruzamentos:
1- Precocidade sexual
2- Precocidade de crescimento
3- Precocidade de acabamento.
A raça com precocidade sexual tem fêmeas que apresentam cio e
machos com libido antes dos 18 meses de idade.
A raça com precocidade de crescimento apresenta animais com peso
de 500 kg até os 18 meses de idade.
A raça com precocidade de acabamento tem a carcaça apta ao abate
( acima de 2 mm de espessura na gordura subcutânea) aos 18 meses
de idade.
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Critérios de
Precocidade aos 18 meses de idade nos bovinos
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Libido |
Peso |
Cobertura |
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Sexual |
Cio |
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Crescimento |
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500 kg |
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Acabamento |
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3 a 10 mm |
Levando em conta
os critérios acima, consideramos a natural limitação de algumas
raças para apresentar uma ou mais destas características até o
sobreano (18 meses ou 550 dias de idade). Portanto, uma
composição adequada destas contribuições, deve prever os
objetivos e metas do cruzamento industrial, uma vez que estes
critérios de precocidade são concorrentes, isto é, apresentam
correlações negativas. A raça com maior vantagem sexual perde no
crescimento e também, a raça com maior vantagem no crescimento
não é precoce no acabamento. Se considerarmos apenas estes três
critérios e desde que não haja limitação de alimento para as
matrizes meio – sangue (F1), deve-se usar no primeiro
cruzamento, a raça sexualmente precoce com a raça que apresenta
ampla capacidade de crescimento, uma vez que as matrizes serão
mais exigentes, por serem maiores, apresentando também maior
eficiência na conversão do alimento. Se o criador faz opção para
obter o tricruzado (tricross), então, a raça com melhor
acabamento de carcaça, deve ser incluída no segundo cruzamento.
Mas a questão de otimizar o cruzamento não se esgota aí, porque
com certeza outros critérios devem ser exigidos para compor o
animal resultante. Estes critérios são a capacidade materna e a
adaptabilidade, estas consideradas características importantes
nas condições de criação extensiva do ambiente tropical. Então,
mencionando a capacidade materna para criar bezerros saudáveis,
a boa produção de leite para sustentá-los e a fecundidade
necessária para reciclar novas crias, fazemos referência a
matrizes que contribuem com fertilidade, efeito materno e
docilidade.
Por outro lado, adaptabilidade é importante, no caso de criação
em ambiente tropical e/ou subtropical, porque a resistência dos
animais sob sistema extensivo contribui para reduzir os custos
de manutenção do programa de cruzamentos; esta é a vocação
natural de nossa eficiente pecuária. Para tanto, é reconhecida a
contribuição dos zebuinos na simplificação do manejo e na
redução dos requerimentos de mantença dos animais. De modo
geral, escolhe-se a fêmea Nelore para os cruzamentos, com
algumas vantagens e limitações. As vantagens referem-se à
facilidade (disponibilidade de fêmeas) na reposição de matrizes
e aos programas de melhoramento que a mesma raça vem recebendo,
no país. Como limitações, pode-se mencionar a incipiente
precocidade, nas três vertentes já mencionadas, ainda que
aprimoramentos nestes sentidos já tenham sido alcançados, em
muitos rebanhos, com programas já implementados.
Quanto à capacidade materna, o exemplo da raça Simental
demonstra excelência, não só em precocidade de crescimento, como
no acabamento da carcaça e precocidade sexual.
É evidente a existência de raças especializadas nos mencionados
aspectos de precocidade, que podem atender mais prontamente a um
sistema de cruzamentos com muitos requisitos, mas, à medida em
que introduzimos maior número de genótipos (raças) o esquema de
cruzamentos é inexoravelmente conduzido para a miscigenação e
daí ao confundimento, em uma profusão de critérios e objetivos a
alcançar. Portanto não parece adequado introduzir um grande
número de raças para atender a um grande número de objetivos,
sob o risco de que o produtor se perca no caminho de
alcançá-los, em custo alto. Ademais, o maior grau de heterose é
alcançado já primeira geração, portanto entre duas raças com
muita distância étnica; e pode ser maximizado quando ambas são
“puras”, isto é, fortemente homozigotas, bem selecionadas, cada
uma a seu lado e complementares entre si, acoplando suas
respectivas contribuições genéticas, com objetivo de resultarem
produtos heterozigotos com superioridade fenotípica (heterose ou
vigor híbrido). Este resultado certamente pode ser alcançado
usando-se os troncos zebuíno e brachycera, aqui esquematicamente
representados pelas raças Nelore e Simental nos seguintes
processos:
1- CRUZAMENTO INDUSTRIAL EM BACKCROSS:
(Fêmea NELORE + macho SIMENTAL) = (½ SN
fêmea) + (macho SIMENTAL)
Todos os animais (¾ SIMENTAL machos e fêmeas) produzidos nesta
fase são destinados ao programa Novilho Precoce, bem como
os machos ½ sangue resultantes da primeira geração de
cruzamento.
2- CRUZAMENTO INDUSTRIAL EM TRICROSS:
(Fêmea NELORE + macho SIMENTAL) = (½ SN
fêmea) + (macho de raça com acabamento de carcaça, por exemplo:
Angus)
O destino dos animais ¼ S + ¼ Z + ½ Angus será, como no esquema
anterior, o atendimento do programa Novilho Precoce. Nos
dois casos, sabe-se que após obter o meio sangue (F1), há
redução da heterose, mesmo quando se usa uma terceira raça,
já que as diferenças genéticas entre as raças taurinas (Simental
e Angus, ou outra...) entre si é menor que a existente entre o
Nelore e o Simental.
3- CRUZAMENTO ALTERNADO CONTÍNUO:
(Fêmea NELORE + macho SIMENTAL) = (½ SN
fêmea) + (macho ANGUS) =
(fêmea ¼ S + ¼ N + ½ A) + (macho LIMOUSIN
) = (1/8 S + 1/8 N + 2/8 A + 4/8 L)
Neste tipo de cruzamento, como o próprio nome indica, o criador
deveria encontrar sempre mais uma raça, diferente das
anteriores, para não prejudicar o nível de heterose já
conseguido. Este é um dos problemas neste cruzamento, ou seja:
introduzir raça bem diferente das anteriores, às vezes
originando um verdadeiro cocktail biológico de tipo, tamanho e
exigência diferenciados, e quase sempre não atendidos, no
sistema de produção. Portanto, origina-se um problema de manejo,
que necessariamente precisa ser diferenciado a cada geração para
atender aos diferentes biotipos formados, o que dificulta e
encarece o processo, bem como os produtos obtidos.
4- OBTENÇÃO DE COMPOSTOS (MESTIÇAGEM):
O composto é um animal com pai e mãe mestiços. Resulta de
mestiçagem e tem diversas etnias ou raças, o que lhe confere
alto grau de heterose, devido à heterogeneidade de seus alelos.
O uso destes reprodutores é apropriado para suprir com vigor
híbrido os sistemas de criação, sem necessidade de modificar o
manejo a cada geração, como ocorreria no cruzamento anterior,
conforme mencionado. Pode ser obtido como segue:
| (Fêmea NELORE
+ macho SIMENTAL) |
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(Fêmea ANGUS
+ macho CARACU) |
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| ( ½ SN
fêmea) |
+
|
 ( ½ AC
macho) |
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¼
SIMENTAL + ¼ NELORE + ¼ ANGUS + ¼ CARACU |
Um ponto negativo
deste sistema, seria usar animais parentes em miscigenação, o
que ocorre principalmente quando os rebanhos são pequenos, ou no
caso de IA (inseminação artificial) com desconhecimento da
genealogia. A consangüinidade (endogamia), leva à queda no grau
de heterozigose, necessária para manter o status do cruzamento
em alta.
Esta preocupação justifica-se aqui, porque o objetivo é
perseverar o ciclo reprodutivo entre os mestiços ao longo das
gerações, admitindo-se, de forma planejada, introgressão de
outras raças.
5- CRUZAMENTO ALTERNADO EM BACKCROSS:
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(Fêmea NELORE
+ macho SIMENTAL) = (½ SN fêmea) + (macho
NELORE) =
(fêmea ¼ S + ¾ N) + (macho SIMENTAL)
=
(fêmea 5/8 S + 3/8 N) + (macho 5/8 S
+ 3/8 N) =
(SIMBRASIL = BIMESTIÇO = 5/8 SIMENTAL
+ 3/8 NELORE) |
Neste tipo de
cruzamento, o objetivo é formar uma gado sintético, procurando
conciliar as qualidades de Precocidade Sexual,
Crescimento e de Acabamento, bem como a Capacidade
Materna e a Docilidade presentes na raça Simental com
os valores de Adaptabilidade e Simplicidade do
manejo da raça Nelore. O animal Simbrasil deve ser proveniente
de uma origem Simental de Seleção, qualificada com base nas
DEP´s (diferenças esperadas na progênie) para efeitos Maternais
e de Crescimento, objetivando assim aprimorar os resultados dos
animais SIMBRASIL.
6- CRUZAMENTO ABSORVENTE CONTÍNUO:
Este é cruzamento mais familiar aos técnicos e criadores, porque
é o esquema de absorção de raças nativas e adaptadas, por
animais especializados, em geral touros europeus, sempre da
mesma raça, até formar o Puro por Cruza. É recomendado por
Associações de Criadores para formar o Puro por Cruzamento, com
a finalidade de obter registro. Tem exigência variada, até
chegar no PC, conforme a raça absorvente, isto é: se a raça está
em formação, necessita ser fomentada e aumentar o número de
criadores adeptos, o critério de seleção pode ser menos intenso.
O esquema geral para formação das progênies Puras por Cruza(que
apresentam em torno de 95% da raça especializada), é mostrado
abaixo:
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Fêmea NELORE
+ Macho SIMENTAL = (½ SN fêmea) + (macho
Simental ) =
(fêmea ¾ S + ¼ N) + (macho SIMENTAL)
= (fêmea 7/8 S + 1/8 N) +
(macho Simental) = (fêmea 15/16 SIMENTAL +
1/16 NELORE) =
PC SIMENTAL = 31/32 SIMENTAL + 1/32 NELORE |
Utilizando animais
com avaliação genética (Sumário com as DEP’s), os cruzamentos
subseqüentes serão conseqüência dos pais qualificados, desde que
orientados os cruzamentos. Ao executar os acasalamentos, devemos
nos lembrar de um antigo ditado popular : “Os ascendentes de
um animal nos prediz o que o mesmo poderá ser ; a observação de
seu desempenho no ambiente nos informa o que o mesmo parece ser;
somente sua progênie nos garante o que ele é “.
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